Barrinha da evolução de Peso

18 de setembro de 2014


Boa tarde!

Este post imenso dedico á minha amiga Nina, nos esbarramos por aí - ainda bem-  e nos entendemos tanto ♥.

Vou falar um pouco sobre meu relacionamento...vixxi faz tempo...rsrsrs, foi o mais importante e foi o que trouxe meu filho. Algumas pessoas me perguntam porque estou tanto tempo sozinha.Vou resumir. Tudo sempre envolveu meu peso, ser gorda sempre me trouxe muito sofrimento. Meu primeiro e único relacionamento sério me marcou muito. Ser obesa me consumia demais, o amor ficou jogado de lado. Sempre fui muito travada, pra me entregar de verdade numa relação preciso sentir mais que confiança, sou insegura demais com meu corpo, o que dificulta tudo. Muito fácil falar: "deixa de bobagem, deixa acontecer". Não é bem assim, não consigo me deixar levar, o lado psicológico ficou muito fragilizado, preciso mais que coragem para ficar nua na frente de um homem, só desejo não é o suficiente, infelizmente.

Já contei essa história que vou relatar para minha terapeuta, ela disse que seria bacana compartilhar no blog, se eu desejasse, porque assim como eu, muitas mulheres não conseguem lidar com relacionamento e o aumento de peso, e ler o que eu passei pode ser um conforto, um apoio. Em uma relação à dois, o que incomoda um pode ser prejudicial aos dois e pode ainda nenhum dos dois conseguir perceber até ser tarde demais, como no meu caso.
Nem o ex namorado, nem a família conhecem essa versão...

Tinha eu quase 17 anos e comecei a trabalhar em uma empresa, o motorista do fretado era ele, eu a primeira a entrar e ultima a sair do ônibus, começou uma amizade. Ele 14 anos mais velho, um espanto, um tabu. Eu na fase rebelde quis contestar, isso me atiçou. Um convite para um passeio, outro, 3 encontros nenhum beijo, homem comedido, cavalheiro, cheiroso, me ganhou. No dia 12/06/2003 oficializamos o namoro, muito comum eu receber flores, presentes, um namorado como manda o figurino. Muito carinhoso, o carinho de um homem que não teve colo, não teve berço nem comida farta, e aos 8 anos teve que enfrentar a enxada tem um sentido forte, é um carinho raro, gratuito, muito verdadeiro. Foram 4 anos de namoro e somente "2 Eu te amo."
A experiência de vida dele me vibrava, conversávamos por horas a fio, o beijo do jeito que eu adoro e o sexo era maravilhoso. Sim, estava perdidamente apaixonada! Ele muito prático, ágil, rústico, ignorante. Eu bem mais delicada, amável, romântica. Nos encaixamos assim.

Ele trocou de trabalho um tempo depois e começamos a viajar juntos, com ele conheci PE, CE, ES, MS, MG, RS e DF. Era incrível. Madrugadas frias com edredons na estrada, eu contava inúmeras histórias de terror que adoro. Nunca brigamos, ele levava muito bem as coisas. Era um relacionamento maduro. Nosso namoro ficou ainda mais forte, intenso, vivo, senti uma mudança positiva, ele queria voltar a estudar, me acompanhar, o frescor da minha juventude fez bem para seus sonhos esquecidos. Eu o arrastava para Bienais, Teatros, cinemas, coisas inéditas e ele me arrastava para o campo, para a estrada - sua paixão - me mostrava parte do seu mundo. Tínhamos todos amigos em comum, começamos a fazer dança juntos, forró universitário, porque íamos sempre pra baladas, nessa época eu pesava 68 quilos à duras penas, o menor peso da minha vida, eu estava muito feliz. Essa felicidade chamava muita comida e eu vivia de dieta. Desencanei totalmente, e comecei a perder roupas, dentro de 2 anos engordei 20 quilos. Não conseguia parar de comer, não fui mais para a dança, deixei meu namorado sem par, ele desistiu de ir sozinho. Depois não queria mais sair com os parentes dele ou com meus amigos, estava me sentindo feia, com 19 anos parecia que tinha 30.  Ficávamos o final de semana em casa. Ele reclamou da minha inércia, não questionou meu peso, isso era um assunto proibido pra mim. Precisava fazer algo, eu queria uma ajuda, mas não sabia por onde começar, não tinha a maturidade de hoje. Minha vida estava mudando muito rápido, estava deprimida, só chorava e comia escondido. Mas não me achava doente. Depois de receitas e remédios milagrosos emagreci 17 quilos e voltei a ser a mesma de sempre. Mas não consegui voltar ao peso inicial dessa história. E não sei o que me fez perder a força de vontade, o conforto do amor talvez? Mas só isso foi o suficiente pra não me fazer andar nos trilhos com a alimentação?

A única vez que ouvi algo no quesito peso da boca dele foi: "Eu te amo de qualquer jeito, mas quando voce engorda, não dá! Voce se transforma, se voce não está feliz, muda, faz alguma coisa, se mexa!!" Essa chacoalhada me tocou, meu namoro já não era o mesmo, tinha perdido um pouco a paixão. 6 meses depois engordei tudo denovo, porque parei com as drogas emagrecedoras que me atrapalhavam no trabalho, contabilidade, errava nos cálculos, irritada, boca seca, falta de concentração, e o desespero voltou dessa vez com tudo, eu já não queria vê-lo, não era cordial, carinhosa, fiquei fria e dava graças quando ele não ia em casa me ver, o que começou ficar frequente. Convites pra sair não aceitava nenhum, fazer amor só de luz apagada e olha lá....meu relacionamento estava acabando e eu não sabia o que fazer, não conseguia controlar, não podia conviver com ele gorda do jeito que eu estava, envergonhada, triste, descuidada, eu nunca soube lidar com excesso de peso, nunca. Ficamos mais um tempo juntos, mas agora ele já não me chamava mais pra sair, ia sozinho pra todos os lugares, eu ficava triste e aliviada, não via saída, enfrentava as piores fases que um obeso vive, reclusão, compulsão, depressão, baixa auto estima, não tinha uma amiga para desabafar, meus familiares nada diziam, não aprovavam mais meu namoro, pra minha família ele era o vilão sozinho, eu nada tinha feito. Na real não fizemos nada, esse nada foi o que estragou tudo! E eu comia, comia...Minha falta de comunicação e diálogo sobre o que estava acontecendo ele me pagou com frieza, desdém. Ele não entendia, me dizia que gorda ou magra eu tinha que ser a mesma pessoa, ele não conseguia me compreender. Nem eu me compreendia, só não queria ser assim.

Em uma viagem de trabalho ele dormiu no volante e sofreu um acidente feio na Serra de Curitiba,fez cirurgia, quebrou o pé, o fêmur, pôs pino, gaiola, quebrou o pulso, o braço, clavícula, ficou muito debilitado, eu sofri com ele, cuidei, me dediquei como faço com todos que amo, eu era estagiária e trabalhava meio período, pela manhã ficava com ele na casa da sogra, o ajudava comer, pois os 2 braços imobilizados, ajudava tomar banho, porque ele tinha vergonha de ficar nu na frente da mãe, passava na casa dele, organizava tudo, abria janelas para arejar, pois a estadia na mãe dele foi longa...7 meses para se recuperar. Feito toda essa tarefa eu ia trabalhar e nos dias quentes, a noite eu voltava lá para outro banho e quando ele tinha muitas dores e febre dormia com ele. Me assustei nesse período, essa visão foi surpreendente, eu sempre o tinha como um salvador, homem forte, sabia de tudo, conhecia tudo, me protegia de tudo - menos da comida - e vê-lo tão debilitado me deixou em frangalhos. Mas ele se recuperou muito bem, essa fase triste passou em nossas vidas, e como eu comia nessa época. Muita bobagem só vivia de lanches e refrigerante. Desde o acidente então não tínhamos mais intimidade, sexo tinha virado um tabu, primeiro porque ele estava doente, depois porque nos acostumamos, e eu não dava brecha para conversar sobre isso, imagina o fracasso de mulher que eu me sentia, lixo é pouco para descrever a situação. Um misto de alívio e dor. Eu ainda o amava muito. Mas enquanto eu não perdesse todo aquele peso não conseguia conversar, ou mesmo encará-lo, minha relação com a comida sempre foi doentia, mas ele não conseguiu esperar.

 Me afastei de todos amigos, porque eram todos em comum e eu não queria ser vista com ele. Nessa época eu cheguei a pesar 123 quilos, em Dezembro de 2007 sairíamos de férias, o lugar escolhido era Natal - RN.
7 dias, uma verdadeira lua de mel, hospedagem, viagem, refeição, fizemos um pacote, sugestão dele, talvez as coisas melhorassem entre a gente, pra mim tudo estava ruim, nada me agradava, o fato era que eu não me agradava com o que via nos espelho e não conseguia fazer algo para mudar, só dietas e moderadores de apetite. Mesmo com praias..eu topei, parcelamos em 8 vezes. Pagamos 5 parcelas da tão sonhada viagem e eu ganhei um ânimo e emagreci 13 quilos, queria viajar com a auto estima lá em cima. Ele é o tipo de pessoa que não se importa se voce come ou não, não dava palpites, não pergunta, nadinha...até hoje nunca perguntou o que eu como, alimentação é um assunto esquisito pra ele, falar de comida é só dispensa cheia ou vazia, problemas com alimentação é somente falta do que comer, isso é um problemão, as demais coisas são banais. Neuras com peso é coisa de gente fresca, terapia é coisa pra louco desocupado. Ficava difícil me abrir sobre esses problemas que ele acompanhava somente observando meu corpo, ora mais magro, ora bem mais gordo. Ele não sabia que eu tomava antidepressivos e moderadores de apetite tarja preta. Na opinião dele eu tinha uma "facilidade" para engordar. Da mesma forma como ele nunca fazia nenhuma observação quando eu era gorda, também não fazia quando eu emagrecia. E não faz até hoje, é indiferente.

Numa Sexta dia 19/10/2007 eu lembro a data, foi um dos dias mais tristes da minha vida, faltava 2 meses para nossa viagem, aquele dia eu estava muito afim de ser uma pessoa melhor, decidida não jacar, escovei os cabelos, fiz as unhas, queria ver meu namorado, ele chegou e disparou "Silvia, quero terminar, não dá mais, eu não gosto mais de voce, o amor acabou. Desculpa se estou sendo grosseiro mas não tem outro jeito de falar isso, nosso namoro acaba aqui". Não esbocei nenhuma reação, achei que era uma brincadeira - de muito mau gosto- e falei: "E a viagem? Posso levar outra pessoa?" Faz o que voce achar melhor, não vou viajar com voce mais. Percebi que ele estava falando sério. A facada me atravessou o peito. A resposta foi um "Ok." Não derramei uma lágrima. Tem 12 anos que nos conhecemos e ele só me viu chorar 2 vezes. 1 vez quando eu descobri que estava grávida - depois eu conto - e outra vez quando meu bebê foi hospitalizado e o médico disse que deveríamos ir pra fila de transplante de rins, eu quase desmaiei, ele estava lá e eu chorei muito, foi a primeira e única vez que o vi chorar também.

Minha mãe já estava doente nessa época, mas conseguia andar com dificuldade e tinha saído com seu namorado, meu irmão na gandaia - Já falei pra voces que eu tenho um irmão também? - Isso é assunto pra outra hora....rsrs, minhas irmãs moram longe, eu estava sozinha demais, a solidão doeu, e eu chorei, chorei até não poder mais, naquele dia eu desisti de mim, a única pessoa que eu amava tinha me abandonado de uma forma cruel, mesquinha, eu estava doente, cega pela obesidade, precisava de ajuda, uma ajuda que ele não podia me dar, ou não queria, não sei. Eu não suportava mais aquela situação, acredito que ele suportou bastante, mas ele podia ter insistido um pouco mais, me largar assim quando eu mais precisava foi terrível, com certeza já tinha outra mulher na vida dele há tempos. No fundo no fundo eu esperava por isso a qualquer momento.

Ele me tratava como filha muitas vezes, e eu me acostumei com isso, acho que a diferença de idade e essa minha carência afetiva despertou isso nele. Cuidado esse que ele tem até hoje, ás vezes me liga perguntando se preciso de algo, como xampú, dinheiro pra passagem, ou dinheiro pra tomar um lanche na rua... dou risada e digo já sei me cuidar sozinha. Hoje em dia somos amigos, por causa do meu filho e depois de uma conversa que tivemos, antes tinha ficado muita mágoa. Essa conversa também depois eu conto pra não misturar..hehehe.

Depois de semanas do término do namoro ele me ligou, foi no meu trabalho me buscar, queria conversar, voltar, insistiu inúmeras vezes, me seguia, deu piti na rua, quebrou meu celular - que ele mesmo me deu - , assustou meu paquera, ameaçou, deu show, fingiu até infarto...que horror. Mas eu estava ferida demais para aceitar uma volta. Tudo isso em 4 anos.

Sacudi a poeira e recomeço pra mim sempre foi perder peso, e consegui emagrecer bastante, dentro de 6 meses estava pesando 80 quilos, voltei a ser a Silvia de antes, feliz animada, namoradeira, intensa. Quando eu emagreço viro dona de mim, da minha vida e consigo deixar uma pessoa entrar. Se engordo não cabe mais ninguém literalmente, ser gorda pra mim é uma punição, uma vergonha, não existe espaço para mais nada, é muito complicado, é exposição da minha fraqueza, do meu pecado. Fui despedida do trabalho, perdi o convênio médico, me abalou, porque meu problema sempre esteve na cabeça, eu não sabia disso. Eu não estava fazendo certo, era tudo em vão.

Sem acompanhamento médico, engordei outra vez mais um pouco. Eu e o ex namorado não nos falávamos nem por telefone mais, por pedido meu, o dinheiro da viagem ele pagou o restante, e ninguém viajou, o carro dele era no meu nome, ele pagava também, de vez em quando chegava uma multa em casa, alguém buscava pra ele, o sofrimento foi passando. Já não sentia mais saudade. Mas também perdi toda a vontade namorar. Não existia mais libido. Isso era sofrer. Depois de 1 ano afastada do namorado, eu estava pesando 106 quilos, aff perceberam que em toda minha vida eu sei o quanto eu pesava, eu perdia o controle, mas o peso eu sabia sempre. Esse efeito sanfona me destruía, nossa, escrevendo tenho noção de como que não consigo manter o peso nunca, meu Deus! Não só tomava anfetaminas, como chás, capsulas, qualquer coisa que me fizesse perder peso eu acatava.

Nos encontramos por acaso na rua, em Agosto de 2008 e ele me chamou pra tomar um chopp e eu aceitei. Sentia falta das nossas conversas. 1,2,3, 4 chopps, muita risada, velhos amigos de repente, nem falamos do passado como se nada tivesse acontecido e a noite acabou no motel. Única noite, não usamos proteção e eu fiquei grávida.

Desligada por natureza, demorou dois meses para eu perceber que não menstruava. Estava grávida de um homem que não era mais meu namorado, com 22 anos, desempregada, gorda e o psicológico nada confiável.
Meu desespero foi tão grande que sai do laboratório e não me localizei, não conseguia enxergar, liguei para o ex, eu não conseguia falar, foi aterrorizante, ele me encontrou e foi essa a 1ª vez que ele me viu chorar, a cena foi feia, ele se assustou , lógico, fiz com que ele se sentisse o culpado, afinal ele me abordou, ele se aproveitou da situação, a culpa era todinha dele! Depois de um milhão de pedidos de perdão veio a frase fatídica que me ficou na memória: "Hum, se voce quiser a gente casa então." A forma que ele falou destruiu qualquer possibilidade disso acontecer, casar obrigado por causa do bebê, jamais. Contar para minha família foi difícil e vergonhoso, tive total apoio de todos, e mal sabia eu o que a vida tinha me preparado...

Crises de asma constante, depressão e abstinência dos tarjas pretas, esperar pelo SUS estava inviável. O Ex me deu um plano de parto já que era tarde para fazer um convênio médico. Só que meu orgulho começou a ficar ferido, comecei depender quase exclusivamente dele, já que tudo ele me dava, pois eu estava desempregada. Minha mãe ajudava como podia, mas ela é aposentada e supria todas as necessidades da casa. Até camisola, calcinha, absorvente, tudo! Ele me deu. Isso foi muito ruim. Eu não pedia nada, me sentia um pouco humilhada, além de ser largada por ele, estava nessa situação, não dava pra virar a mesa. E quando ele percebeu essa fraqueza minha, me subestimou, achou que era meu dono, ou ainda, fazia coisas que deixavam chateada, como decidir pelo enxoval sozinho, ou organizar o chá de fraldas com minhas amigas sem meu consentimento. Ou me deixava encabulada quando mostrava o quanto estava sendo "solidário" comigo. Isso tudo me destruiu como mulher, fiquei vazia, magoada, e nesse período pensava muito em suicídio, ainda bem que sou covarde. Mas esse sentimento passou depois que senti o bebê mexer, quando ele respondia meu toque na barriga, quando soube o sexo, esse nhem nhem nhem de mamaezinha hehehe, dai eu comecei a encarar as coisas de outro jeito, e fiquei feliz, um minimo feliz e meu vontade de fazer diferente depois que ele nascesse, e transferi todo o amor que eu tenho para meu filho, que é minha vida! Eu acreditei que isso seria temporário e realmente foi. Mas a situação que me encontrava e minha baixa auto estima falavam por mim na época.

Ao contrário do imaginava não tive um aumento exorbitante de peso. Engravidei com 106 quilos e ganhei o bebê com 117. Onze quilos, foi pouco para meu histórico, porém eu passava muito mal, vomitava e só comia arroz e batata durante toda a gravidez, no começo da gestação emagreci 9 quilos que recuperei depois, foi uma salvação kkkk. Por isso deu tão pouco. E sai da maternidade depois de 14 horas de trabalho de parto natural 10 quilos mais leve, foi incrível! só o bebê pesou 4 quilos, a placenta 700 gramas, muito interessante. Mais isso durou muito pouco....comecei a engordar tudo de novo. Meu filho com 2 meses e eu tinha engordado 6 quilos. Solidão, isso resumiu esse período. Fui uma grávida triste e muito sozinha. Não consegui curtir como gostaria, infelizmente. Meu bebê com problema de saúde, um pai super ausente, já que só trabalha e acha que ser pai é ter dinheiro no bolso, minha mãe com a saude agravada colocou prótese na perna e ficou acamada longo tempo. Me desesperei, vizinhos me ajudaram cuidar do meu filho, eu cuidava da minha mãe, ajudava tomar banho, dava comida, cuidava da casa, de tudo. Desesperada comia, comia e chorava, chorava muito. Achei que nunca ia superar essa fase cruel. Triste era quando minha mãe passava mal e nenhum vizinho podia ficar com meu bebê de 4 meses e eu a acompanhava na ambulância, já que ela não podia andar e levava meu filho junto. A noite, madrugada, frio. E mais amargura e muita solidão.

Superamos juntas tudo isso e minha mãe voltou andar e a saúde boa. Dias melhores vieram, fui em busca de um trabalho, no total quase 2 anos fora do mercado. A gordura veio outra vez me tirar a coragem. Mas precisava encarar, por mim e agora pelo meu filho. Comecei a trabalhar a noite, minha mãe cuidava do meu pequeno. 1º salário adivinhem o que fui comprar? Anfetaminas mais uma vez. Paguei médico, remédio e comecei o ciclo mais uma vez. 45 dias depois já havia emagrecido 17 quilos, pesava mais ou menos 90 quilos e me sentia muito feliz. Meu filho completou 1 ano e recuperei meu orgulho quando decidi comemorar com uma festa simples, que foi toda bancada por mim, dessa vez não quis ajuda do pai, insisti bastante para que ele não se envolvesse, foi lavar um pouco a alma.

Sai desse trabalho, entrei em outro...minha mãe cai doente outra vez. Dessa vez pude contar com ajuda da minha irmã Fábia que mora no Amazonas, ficou 2 meses aqui e ajudou muito. Minha outra irmã ajudava como podia, principalmente financeiramente, ela sempre é nossa salvação, nos ajuda demais, mas tem a vida corrida e nessa época estava no final de gestação, não podia fazer muita coisa.

Desde então minha mãe melhorou mas precisa de mais uma cirurgia que estamos esperando. Entrei há 3 anos na empresa que trabalho hoje, onde conheci a cirurgia bariátrica. Ainda em 2012 tomava moderadores de apetite, e cheguei a 138 quilos. Desisti de todos os medicamentos, não suportava mais. Foram 10 anos nessa dependência maldita que não me trouxe nenhum benefício. Tinha chegado meu limite. Não conseguia mais, só ali eu percebi que era uma pessoa doente e precisava de ajuda de verdade, meu problema não era só gostar de comer.

 E desde que engravidei estou sozinha, nenhum namorado. Eu estava com a alma muito doente pra pensar em amor. Me senti muito inferior e sempre achei que não tinha nada a oferecer nada de bom para dividir com um parceiro, eu me diminuía por nunca conseguir emagrecer definitivamente e pelo fato do homem que eu amava ter me largado sem motivo aparentemente pra mim, hoje eu enxergo, hoje eu sei, mas não entendia e isso ficou gravado.O ex namorado, personagem dessa história, ainda pediu para reatarmos em 2013 mesmo eu pesando 138 quilos, e pediu várias vezes até. Sempre achei que era pena de me ver tão destruída, por essa razão nunca aceitei. Ainda não consigo me ver em um relacionamento, acho que por tudo que vivi tenho muita insegurança e receio de gostar de alguém.

 Atualmente minha mãe anda com ajuda de andador, mas me auxilia com meu filho que está com 5 anos e se vira muito bem. Cuido da casa, trabalho, e a grande diferença é que hoje também cuido de mim. Agora que escrevi esse pedaço um pouco sofrido, comecei a entender esse meu terrível medo de fracassar, é porque já fracassei demais por esses anos, tenho medo de sucumbir e a obesidade me vencer outra vez.

Hoje em dia minha relação com o ex é ótima. Não guardo mágoas, esse passado ficou pra trás, senti pena de mim pela minha fraqueza em relação ao meu peso somente. Em uma conversa franca, disse o que sempre tive vontade, falei tudo, como ele fez eu me sentir durante a gravidez, e de como eu sofri quando ele me deixou na pior fase da minha vida e de como eu gostaria que ele tivesse cuidado de mim, como eu cuidei dele, porque eu tinha certeza que ele ia se recuperar e voltar a ser o homem que sempre foi, e da mesma maneira eu estava toda quebrada, destruída e precisava que ele tivesse apostado em mim também, para que eu voltasse a ser a mesma mulher que ele tinha conhecido. Ele me respondeu que nenhum momento ele sequer imaginou esse inferno que eu vivia.

Então meus amigos, não tenham vergonha de expor seus problemas, seus medos e dificuldades para sua família, para seus companheiros, porque se existe amor, tudo supera. Dai vem a ajuda. Não se sintam intimidados, as pessoas não sabem se voce não falar claramente. Não dá para adivinhar, não é mesmo? Eu era muito menina, inexperiente, talvez, se eu pensasse como hoje, seria tudo diferente, ou não também, não dá pra saber. Essas são as voltas que a vida dá, se eu precisava passar por tudo isso para chegar onde estou tudo bem, porque sou sortuda de ter um filho lindo e maravilhoso, que se fosse concebido de outro pai não sairia desse jeito! Sou grata por ter coragem e força para cuidar da minha mãe, sou grata por ter irmãs maravilhosas que mesmo tão longe não quebramos nossos laços de amor.

Esse longo desabafo é uma parte muito dolorida de mim que coloquei pra fora depois de tanto tempo, para que voce que luta hoje contra seu vício na comida, que luta contra uma provação difícil, ou uma dificuldade qualquer, saiba que vai passar, força e fé em Deus, que vai terminar. Meu conselho é que voce fale, sem orgulho, sem reservas, sem vergonha, admita. Ser gordo e não estar feliz é estar doente sim, aceite isso que será mais fácil a ajuda vir. Quando eu compreendi fui muito ajudada como sou até hoje, por conhecidos, por amigos virtuais, pela minha família, pela minha mãe que mesmo com educação tão simples, tão humilde consegue me ajudar tanto, eu nem imaginaria isso ser possível, sabem porque? Eu não falava! Isso me fez muito bem. Porque vejo como cresci e como fiquei mais forte, e como estou vencendo lindamente a obesidade todo dia, é com ajuda. 
Já o amor......aaaaa isso ainda será novidade pra mim!


Beijos e vamos que vamos!




11 comentários:

  1. Silvia querida, me emocionei...
    Não sei nem o que dizer depois desse relato. Minhas angústias (criadas na cabeça) são tão pequenas perto da tua realidade... Quanta coisa aconteceu, se não soubesse, diria que és mais velha em idade por tantas coisas pelas quais já passou. Me reconheci imediatamente quando tu disse que sabia sempre que peso tinha, eu tb, sempre!!! E em namoros anteriores estava tudo bem quando meu peso estava ok, quando não tava, desandava... Impressionante! Parece que acreditamos não ter o direito de viver estando acima do peso, na verdade, nos privamos...
    Tive 2 namoros, um de 4 anos (dos 18 anos aos quase 22) e outro de 6 meses (aos 23 anos), ambos comecei quando estava bem, tinha emagrecido e o término foi em fase de engorda, já sem vontade de fazer nada, só comer... As outras pessoas que conheci e não se tornaram relacionamentos, todos com exceção de um, aconteceram quando tinha emagrecido e o único quando estava 'maior', me esforcei muito, quis acreditar que podia, tinha direito, mas não me senti bem, sempre achando que meu peso seria citado.
    Sempre te achei vencedora, agora então... Me faltam palavras.
    Tens que valorizar muuuuito toda essa conquista, não só o emagrecimento, mas a motivação que te fez ir em frente, lembrar da fase em que estava grávida, desempregada, triste, deve ser horrível (eu lendo tive vontade de ir aí te ajudar), mas certo dia tornou-se um impulso para se cuidar e hoje estar tão melhor e em busca da felicidade!
    A frase "deixa de bobagem, deixa acontecer" também já ouvi muito, mas é mesmo muito difícil.
    Me identifiquei demais com teu texto, há passagens que eu poderia ter escrito... Talvez algumas pessoas não entendam, mas a dinâmica é essa e o não viver e não falar, nos rouba preciosos anos. Me vejo nessa há quase 15 (agora final do mês faço 29.
    Obrigada pelo texto, me deu ainda mais vontade de escrever e rever certas coisas.
    Fico super feliz por hoje tudo isso ter passado e tu estar melhor... O amor pode demorar, nem sabemos de fato se vai chegar, mas o amor próprio temos obrigação de ter, merecemos!
    beijo grande amiga querida e vamos juntas

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nina, é exatamente isso. Quem disse que não merecemos viver, ser felizes quando estamos acima do peso? Mas é bem assim o sentimento, a crença que não podemos. E nos privamos, vamos deixando os melhores anos passar. Sabe Nina, estava vendo umas fotos suas no face, e se voce não me falasse jamais acreditaria que tens alguma reserva em relação ao seu corpo, porque és linda de verdade! Entende como é dificil? Eu mesma que vivo na carne, custo a crer que uma mulher tão bonita como voce e tão inteligente tenha qualquer insegurança que seja. É impressionante quando estamos bem começamos tudo do zero, namoro, vida social, tudo fica colorido. Se há uma engorda, tudo desanda. Percebe que mesmo quando fora de forma e estava em um relacionamento não quis investir, achando que seu peso seria citado, porém se o paquera se interessou por voce da maneira que é, porque estava mesmo afim? Só que não conseguimos seguir, porque não nos sentimos bem assim. Eu que agradeço seu apoio, muito me ajuda. Não sei se te falei, tenho uma irmã que chamamos de Nina tbm, por coincidência ela mora no Sul, faz Direito e faz aniversário 21 de Setembro. Rsrsrs, é...realmente temos muito em comum, quase a mesma idade, mesma altura e a mesma vontade de ser feliz! Beijos amiga e sim vamos juntas, e quando tiver vontade de escrever, escreva!

      Excluir
    2. Querida, obrigada pelos elogios!!!
      Mas é mesmo a nossa cabeça que nos guia... Nós que criamos nossos limites! Preciso me perdoar e seguir...
      Que legal, tua irmã tem várias coisas em comum comigo :) Meu pai me chamava/chama de Nina e foi uma forma de não me expor tanto.
      Quarta que vem saio de férias, na volta acho que vou começar um blog!
      Ah e que bom que vais poder descansar em outubro... É muito necessário uma parada, voltamos renovadas!
      Estou sempre por aqui =)
      beijos e ótimo findi

      Excluir
  2. Uau!! Que post incrível... enquanto lia, passou um filme pela minha cabeça, de tudo o que já passei, o engorda e emagrece, o filho sozinha (com a família, claro), e muito mais... Adorei. Parabéns, por abrir seu coração para outras pessoas que certamente precisam ler isso tudo para entender que é possível passar por problemas e sobreviver a eles. Abç.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada Márcia, sim justamente por essa razão quis dividir e me expor assim, ás vezes lendo algumas pessoas conseguem percebem que podem ter mais uma chance, que nunca é tarde, que sempre podemos recomeçar! Um beijo

      Excluir
  3. Você é mesmo uma inspiração!
    Obrigada por partilhar a sua história, muita coragem mesmo!!!

    ResponderExcluir
  4. Silvia que lindo. Estou emocionada. Pela história de vcs e pq entrou num cômodo dos meus sentimentos q eu desconhecia. Obrigada! Bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Julyks, eu que agradeço o carinho a atenção, beijos.

      Excluir
  5. Li como se fosse um livro e estou aqui imaginando um desfecho bonito pra essa história. :P

    Que bom que você se abriu, inclusive, conosco hoje.

    ResponderExcluir

Quem sou eu

Minha foto

Sou Silvia, romântica de alma, sonhadora e agora em busca do renascimento, um corpo saudável. No dia 12/06/2013 me submeti a cirurgia bariátrica, fiz o Bypass Gastrico em Y de Roux por video pelo convênio Bradesco no Instituto Garrido, depois de muitos meses pensando, enfim decidi! Vou dividir com voces a jornada da cirurgia, principalmente a parte burocrática e adoraria fazer novas amizades! bem vindos no meu diário, ele está aberto.

Pesquisar este blog

Evolução mês a mês

  • 12/06/2015 66,5 kilos 2 anos
  • 12/05/2015 66,5 kilos
  • 12/04/2015 66 kilos
  • 12/03/2015 67,2 kilos
  • 12/02/2015 67,2 kilos
  • 12/01/2015 68,6 kilos
  • 12/12/2014 69,2 kilos
  • 12/11/2014 69,5 kilos
  • 12/10/2014 70 kilos
  • 12/09/2014 72 kilos
  • 12/08/2014 73 kilos
  • 12/07/2014 73 kilos
  • 12/06/2014 73,5 kilos - 1 ano
  • 12/05/2014 74 kilos
  • 12/04/2014 75 kilos - meta médica
  • 12/03/2014 80 kilos
  • 12/02/2014 83 kilos
  • 12/01/2014 85 kilos
  • 12/12/2013 90,7 kilos
  • 12/11/2013 94 kilos
  • 12/10/2013 100 kilos
  • 12/09/2013 105 kilos
  • 12/08/2013 111,5
  • 12/07/2013 118,5 kilos
  • 12/06/2013 Maior peso 138 Kilos dia da cirurgia

Siga- me por e-mail!

Google+ Followers

Tecnologia do Blogger.

Minha lista de blogs