Barrinha da evolução de Peso

16 de julho de 2014

Boa Noite.

Vamos descobrir de onde vem essa paixão e esse ódio pela comida? O que te leva a comer compulsivamente? O que voce come? Mesmo sabendo que isto te fará mal? Volte ao tempo onde se firmou esse paladar infantil? Porque está tão retraída como se todos os problemas do mundo fossem culpa sua? Quando voce começou a dar extrema importância ao que ia colocar na boca e engolir? Como sua mãe preparava seu lanche da tarde? Qual alimento voce não consegue parar de comer?

Essas são algumas das perguntas que minha terapeuta para compulsão alimentar me faz. Eu não respondi,
não consegui. Mexer em feridas dói. Eu não consigo me lembrar da minha mãe me preparando um lanche, ou eu não quero lembrar.

Cresci sem regras, eu podia comer o que eu quisesse a hora que eu bem entendesse. Nunca tive regras para nada. Quando decidia fazer algo eu só ouvia a mesma frase: "Sua cabeça é seu guia". Pessoas com emocional comprometido não podem tomar decisões sozinhas. Nunca tive desvio de caráter, porém me entreguei ao vicio da comida e hoje luto contra isso como posso.

Esse vínculo de amor e ódio pela comida me remetem á infância. A comida pra mim sempre foi um escape. Garota tímida de poucas amizades e poucos romances. Uma carência afetiva tão grande que não consigo identificar porque e quando começou. Esse sentimento de solidão me acompanha há muitos anos, mesmo namorando, saindo com amigos me falta algo grande que é inexplicável. E me esqueço disso quando estou de barriga cheia.

Junto com a comida engolia milhares de frustrações, acumulava pequenas tristezas, palavras não ditas, arrependimentos, remorsos. Depois engolia junto com comida pequenas alegrias e grandes felicidades.

Hoje eu como muito bem. Melhor do que em toda minha vida. Mas não é espontâneo, é uma obrigação, é minha firmação com meu novo estilo de vida. Por dentro sou um turbilhão de desejos e ânsias e vontades reprimidas. Por fora sou o equilíbrio em pessoa. Verdadeiramente perdi 50% do prazer na comida depois da Bariátrica, porém os 50% restantes ainda podem fazer um estrago danado.

Esse controle eu mantenho na abstinência, isso me preocupa e preocupa a equipe multidisciplinar, porque pode ter aí um efeito rebote e a gorda aqui pode sim voltar a comer desenfreadamente.Eu me apego com quantidade, números.Não me permito uma compensação de maneira nenhuma, não sou flexível comigo eu já falhei demais na minha vida, não há mais espaços para erros.

Isso eu tento melhorar com terapia, é muito mais complexo do que imaginava. Eu tento, tento voltar ao passado, e lembrar quando foi que comer ficou mais importante do que viver, mas eu não consigo.

Preciso me relacionar melhor com a comida, é tão importante como fazer ás pazes com a balança, a amizade entre a gente precisa ser mútua pra dar certo o tratamento, estou me esforçando para superar essa dependência e cedo ou tarde vou conseguir, porque não suportarei ser obesa outra vez, nunca mais quero passar por esse sofrimento.

Estou com um equilíbrio duramente conquistado, eu não jaco, não como bobagens, nem orgias alimentares há 1 ano e 1 mês, mas o monstro aqui dentro só espera um vacilo meu pra me dominar completamente.


Beijos e vamos que vamos.



12 comentários:

  1. Mana... vc tem algumas travas psíquicas para soltar. Se liberte... é o momento. Não precisa encontrar um culpado... o que vc tem que encontrar, são respostas. Já conversamos uma vez por telefone sobre isso e vc disse que não se lembra. Pois bem... tente sempre se lembrar que nossa mãe fez por nós o que lhe era correto. Nós não tínhamos regras (principalmente alimentares) pq ela viveu uma vida de restrições e não queria isso pra gente. Não tínhamos um horário de lanche ou algum sermão que nos pautasse a dizer que comer um pacote de biscoito recheado era errado ou tomar uma bandeja de iogurte mais açucarado era errado ou que comer quatro pães cheios de sei lá o quê não era bom. Simplesmente comíamos o que tínhamos vontade. E as vontades de crianças são as mais bizarras possíveis. Tente se lembrar, busque a cura que está aí querendo sair. A ideia não é crucificar ninguém, nem vc mesma. A ideia é entender os fatos para encerrar de vez este ciclo que, acredite: não retornará. Vc é outra pessoa agora e não voltará a ser obesa. Se permita. De verdade. Encontre a resposta e entenda que as coisas mudaram. Houve dor no processo e ainda haverá, pois assim aprendemos... mas aquela Silvia não mais retornará.

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  2. Ah, e eu amo comer. Todos amamos comer. Comer traz prazer e não depende de outros para se concretizar. É uma forma fácil e rápida de prazer, de preenchimento. Mas quando se come compulsivamente, entendemos a comida como um açoite e com ela nos punimos. Quando vc entende que a comida é um prazer e que para o prazer tem hora e momento. As coisas se elucidam... Se eu quero estar bem, tenho que comer bem também. Quer um exemplo? Eu amo ver tv e as vezes tenho a impressão que eu poderia passar um dia inteiro vendo tv, talvez dois dias seguidos. Mas isso me faria bem? Talvez naquele momento sim. Mas eu deixaria de brincar com minha filha, de mexer no jardim, de conversar com pessoas queridas, de socializar verdadeiramente. Então eu vejo só um pouco de tv e faço todo o resto. Acho que com a comida é assim. Eu amo doces, sinto que poderia comer muitos... mas eu sei que eles não fazem bem. Então eu como só um e penso com alegria que posso me permitir aquele prazer. E no restante do dia, sigo com minha alimentação normal: balanceada, sem gorduras, frituras, mas que me dão igual prazer. É um exercício. Mas eu consigo seguir. Vc consegue seguir e está seguindo. Os vazios que queremos preencher nunca tem os vícios como motivos... o que nos move para o bem e para o mal, está cá dentro, da cabeça.

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    1. Obrigada minha irmã pelas palavras de carinho e força. Chegou o momento de eu me livrar dessas amarras pra sempre, conto muito com vc. Te amo.

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  3. Silvia, mais um post fantástico que me identifiquei muito!
    Como já comentei em outro momento, ao contrário de ti, sempre tive muitas regras... Na alimentação em si até que não, lembro que na infância comia muito bem na casa da minha vó (as avós deixam tudo), mas a visão sobre os alimentos não era o que é hoje, se tomava leite de vaca, se comia pão branco, nega maluca e as crianças gastavam energia brincando na rua. Era todo mundo saudável e a obesidade não era uma epidemia. Mas no mais minha vida era super certinha, escola, afazeres e sempre exigi de mim uma vida inteira de perfeição. Quando tive anorexia aos 15 anos, simplesmente me vi distorcidamente maior que todas as amigas ao redor (era alta, mas o peso proporcional) e a partir dessa restrição imposta, adquiri compulsão, veio o efeito sanfona e com toda a minha carência, vi refúgio na comida, que está sempre ali, não reage, não nos contraria e conforta. É minha válvula de escape para conseguir manter todo o resto perfeito.
    Essa frase do teu texto me marcou: "quando foi que comer ficou mais importante do que viver?" Exatamente... E pensar que viver engloba tantas outras coisas igualmente boas ou melhores, o preço que se paga realmente é muito alto!
    Sei o quanto é difícil, mas acredito que tu estejas trabalhando este hábito de se alimentar de forma saudável... Com o tempo talvez, algum alimento que tu gosta muito e não te faz mal, quem sabe possa ser introduzido aos poucos para que tu te acostumes e não haja uma orgia alimentar futura que possa comprometer tua saúde.
    Quando vejo teus textos tenho vontade de blogar...
    Adoro te ler e interagir.
    Fica bem!
    Beijos

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    1. Obrigada Nina, minha amiga querida pela força de sempre, realmente somos muito parecidas e fico honrada de ler um pouco da sua história, sei bem o que sofreu tbm. Estou trabalhando isso na alimentação a introdução de qq comida que não force a compulsão e comprometa meu tratamento. Beijos

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  4. Oiii Silvia. Td bem?

    Me identifico muito com o seu texto, pq ainda vivo essa vida sem regras.. Estou em tratamento Psicológico pra mudar isso na minha cabeça.. e estou ai na caminhada pela bariatrica.

    Adoro seu blog.. Bjao

    Meu Blog: http://aconquistadalili.blogspot.com/

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    1. Oi Lili, td bem sim, obrigada pelo carinho. Vou sim te visitar, vou adorar ser sua amiga! Beijos e vamos em frente!!!

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. "Hoje eu como muito bem. Melhor do que em toda minha vida. Mas não é espontâneo, é uma obrigação, é minha firmação com meu novo estilo de vida." Disse TUDO.

    Sil... eu não sei. É o que algumas pessoas falam... Não é melhor você comer uma coisinha que gosta de vez em quando?

    Não sei. Só a gente sabe o que é melhor pra gente, né? E acaba que eu também faço isso com algumas coisas. Vejo que você segue a Petê Camargo (maravilhosa! <3). Ela que fala disso. Não come mais doce. E ela tem razão, e você também deve ter. A verdade é que é tudo MUITO complicado pra gente, né? Muito DIFÍCIL. Não sei nem o que dizer. Esse seu post foi mais tristinho, já tá dando pra notar isso há uns posts... medo de engordar de novo, de perder o controle.

    Não sei como te ajudar, minha amiga, embora queira muito. Mas, minha dica seria realmente provar uma coisinha aqui e outra ali, de vez em raramente. Pode ser, até, que essa vontade toda seja só psicológica. Por exemplo, algumas comidas que amava tanto, hoje provo e já nem vejo tanta graça... Vai que acontece o mesmo com você!

    Se cuida, querida.
    Você é maior que tudo isso.

    Beijo!

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    1. Obrigada amiga pelas palavras de carinho. O problema do pouco de cada é que não consigo parar isso me assusta muito, estou buscando uma força pra tentar esse controle, é vc reparou que ando meio pra baixo mesmo feliz em emagrecer...sei lá, a comida era importante demais e a privação me faz sofrer um pouco, mas tudo no seu tempo. Vc me ajudou já e muito! Beijos e mais uma vez obrigada.

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Sou Silvia, romântica de alma, sonhadora e agora em busca do renascimento, um corpo saudável. No dia 12/06/2013 me submeti a cirurgia bariátrica, fiz o Bypass Gastrico em Y de Roux por video pelo convênio Bradesco no Instituto Garrido, depois de muitos meses pensando, enfim decidi! Vou dividir com voces a jornada da cirurgia, principalmente a parte burocrática e adoraria fazer novas amizades! bem vindos no meu diário, ele está aberto.

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